Existem diversos fatores, tais como a limitação financeira, condições de infra-estrutura, competência, tecnologias disponíveis, intervenções políticas e culturais que influenciam a capacidade de uma companhia em gerenciar suas perdas de água. Porém, o foco deste gerenciamento de perdas deve sempre estar voltado na melhoria operacional do sistema promovendo um serviço de melhor qualidade aos clientes.
Descrição
As perdas de água representam a diferença básica entre o montante de água que a companhia produz e/ou importa com o montante que é lido pelos hidrômetros de seus clientes. Existem dois tipos de perdas de água:
a) Perda Real: também conhecida como perda física, é o volume de água produzido pela companhia que não chega ao consumidor, ou seja, que não é medida no hidrômetro (micromedição), devido a vazamentos nas adutoras, redes de distribuição e extravasamento de reservatórios.
b) Perda Aparente: também conhecida como perda não-física ou perda comercial, é o volume de água produzido pela companhia, consumida pelo cliente, mas que não é contabilizado, devido a erros de medição dos hidrômetros, ligações clandestinas, violação nos hidrômetros e falhas no cadastro comercial da companhia.
A implementação de um programa de controle para redução de perdas de água passa primeiramente por um diagnóstico prévio por meio de uma avaliação geral do sistema, procurando entender como o mesmo funciona para que as ações do programa sejam direcionadas corretamente. O programa de controle para redução de perdas de água aborda, basicamente, seguintes etapas:
Elaboração do balanço hídrico (método Top-Down): Por meio de planilhas e diagramação de esquemas, é traçado o caminho que a água percorre dentro do sistema, desde a sua produção e/ou importação até o consumidor final. É importante que as companhias tenham dados de qualidade, detalhados e atualizados de todos os processos da água dentro do sistema. Esse procedimento dará uma estimativa das perdas reais e aparentes.
Aplicação do método das Vazões Mínimas Noturnas (VMN): Associado ao balanço hídrico é recomendável o uso do método das VMN. Este método estima com um grande grau de confiabilidade a parcela de perdas reais do sistema, visto que as mesmas são mais fáceis de estimar frente às perdas aparentes. Para aplicação do método, é recomendável trabalhar em setores isolados e com o auxílio do modelo hidráulico para alocação de medidores no setor e para auxiliar no isolamento do próprio setor.
Determinação do nível econômico de perdas: A gestão das perdas de água é um problema econômico. Nenhum sistema de abastecimento de água possui “perda zero”. Dentro deste contexto, determina-se o nível econômico de perdas, ou seja, até onde é possível investir dentro do sistema e obter resultados satisfatórios.
Elaboração de um programa de intervenção: Depois de identificado as causas das perdas no sistema, qual a parcela de contribuição de cada uma delas e seu estudo econômico de redução é elaborado um programa de intervenção abordando basicamente os seguintes aspectos:


Vantagens e benefícios
Redução do uso de matéria prima no processo de captação e tratamento;
Aumento na arrecadação da companhia;
Investimentos em melhorias no sistema;
Melhoria da imagem da companhia perante os clientes;
Facilidade na obtenção de financiamentos públicos e privados.
Público alvo
Prestadoras de serviço em saneamento;
Empresas de engenharia;
Órgãos de fomento.
